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Recuperação da Casa do Governador

Recuperação da Casa do Governador

“No interior do Castelo, na praça principal, existe um aglomerado de casas do sec. XVII e XVIII, que serviam de habitação do governador (1799), oficiais da praça e famílias dos militares.

São visíveis nas construções mais eruditas, paredes inteiras esgrafitadas, imitando cantaria, simulando vãos e suas portadas, criando curiosos cenários que urge recuperar e reutilizar.”

(in Projecto de Salvaguarda e Valorização do Castelo de Ouguela, 1994)

O Município de Campo Maior promoveu, com início em maio de 2013, a recuperação da Casa do Governador de Ouguela no âmbito de um plano mais alargado de revitalização daquela aldeia histórica.

O lugar de destaque que o edifício ocupa na antiga Praça de Armas de Ouguela faz dele um dos principais protagonistas na estratégia de recuperação do património edificado e significa o primeiro passo de um projeto mais amplo e que contempla, entre outros, intervenções na cintura de muralhas que envolve a aldeia.

A recuperação da Casa do Governado está terminada de acordo com o projeto do arquitecto João Miguel Braz da Costa Lopes:

A casa, parcialmente em ruínas, encontra-se sem uso definido.

Com esta intervenção o incremento de área é diminuto já que se pretende sobretudo aproveitar os espaços disponíveis fazendo-os fluir internamente com a menor intervenção possível de modo a garantir que o conjunto preserve o seu carácter.

O edifício, de construção tradicional, está construído segundo um sistema de arcos de alvenaria de tijolo e paredes de alvenaria mista de pedra cal, tijolo e desperdícios na quais se encastravam e apoiavam pisos e cobertura estruturados em madeira (desaparecidos), e no caso do corpo principal constituindo por pisos e cobertura estruturada em abóbada de tijolo.

O edifício apresenta uma fachada com relevos, tromp-l’oeils e esgrafitados, numa atitude pseudo-barroca de geometria duvidosa, cuja feição ingénua, assume um carácter único, surpreendente e pitoresco. As caixilharias sobrantes, na sua maioria desaparecidas, não são as originais nem se configuram com o desenho que se presume ter existido.

Os pavimentos do piso térreo encontram-se igualmente arrancados ou substituídos.

De frente para a Porta de Armas situa-se uma fachada falsa que esconde um pátio que em tempos terá sido ocupado por construções desqualificadas.

O arruamento voltado para o interior da cidadela, foi recentemente aterrado pelo que as janelas da sala do corpo principal no piso inferior estão parcialmente obstruídas sendo visível a degradação das paredes resultante de infiltrações.

Em resumo, apenas sobrevivem intactas e em bom estado de conservação as paredes e as estruturas abobadadas. Sobrevivem igualmente de modo a poderem ser recuperados todos os elementos decorativos presentes nas fachadas.

Pretende-se instalar um pequeno Posto de Turismo com loja, zona administrativa, bar e sala polivalente para colóquios e exposições temporárias.

A construção nova integra-se na proposta de redensificação do tecido urbano no interior do Castelo, com o objectivo de recuperar a ambiência desaparecida, como é sugerido no Projecto de Salvaguarda e Valorização do Castelo e Fortificações de Ouguela, de Março de 1994, elaborado no âmbito do Programa PAX.

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